Acampamento de Trabalho 2026, 15 dias que deixaram marcas

24-07-2026

Após 15 dias de convivência, comprometimento e serviço, no último dia 18 de julho chegou ao fim nosso Acampamento de Trabalho em Valência.

Chegamos à escola Escuelas Pías Malvarrosa com colchões, malas e muitas incertezas sobre o que nos esperava durante esses dias. No entanto, hoje podemos dizer que partimos com muito mais do que trouxemos. Levamos sorrisos, lembranças inesquecíveis, aprendizados, abraços e amizades que, em apenas duas semanas, se transformaram em uma pequena família.

Ao chegarmos, muitos pensávamos no serviço que iríamos realizar ou em como seria essa experiência. Mas, aos poucos, tudo mudou. Passamos de pensar no “eu” para o “você”. Descobrimos que a verdadeira riqueza estava em nos dedicarmos aos outros, em colocar as crianças no centro, em nos deixarmos surpreender por cada sorriso, cada abraço e cada momento compartilhado com elas. O que vivemos foi muito diferente do que imaginávamos; foi, sem dúvida, muito mais grandioso.

Também pensávamos que a convivência levaria tempo para se construir, mas, mais uma vez, a realidade nos surpreendeu. Desde a primeira noite, desapareceram as diferenças entre nós que vínhamos de Albacete, Madri, Monforte, México, Gandia, Vitória e Valência. Deixamos de ser pessoas de lugares diferentes para nos tornarmos uma comunidade unida por um mesmo propósito. Quase sem perceber, começamos a construir um lar onde cada um tinha seu lugar, onde o serviço, a escuta e o cuidado mútuo passaram a fazer parte do nosso dia a dia.

Os primeiros dias foram intensos. Antes de mergulharmos de cabeça nos projetos, passamos por um período de preparação e formação que nos permitiu crescer tanto no nível pessoal quanto no grupal. Aprendemos ferramentas para o manejo das emoções, a resolução de conflitos e o trabalho em equipe, descobrindo que servir também implica aprender a conhecer a si mesmo e a cuidar dos outros.

Todo esse caminho foi acompanhado pela figura de “São José de Calasanz”, que nos guiava todas as manhãs e todas as noites por meio da oração. Começar o dia colocando-nos em suas mãos e encerrá-lo com um momento de silêncio, reflexão e encontro com Deus tornou-se um dos momentos mais esperados. Após manhãs intensas e cheias de emoções, essa pausa nos ajudava a agradecer pelo que havíamos vivido, a encontrar calma e a recarregar as forças para o dia seguinte.

Todas as tardes, também tínhamos um momento de reflexão em grupo. Ouvir uns aos outros nos permitiu descobrir como cada pessoa havia vivido seu dia nos diferentes projetos: Llum, Amaltea e Saó. Compreender realidades distintas e aprender com as experiências dos demais. Foi nesses momentos que compreendemos que cada pequeno gesto de serviço tinha um grande impacto e onde muitos de nós sentimos nascer o desejo de continuar fazendo parte do voluntariado após o término do acampamento.

Nos fins de semana, embora os projetos entrassem em pausa, o acampamento continuava vivo. Foram dias para nos conhecermos melhor, compartilharmos tempo juntos, fortalecer o trabalho em equipe, nos divertirmos, rirmos e vivemos as tarefas cotidianas como em qualquer lar. Limpar, arrumar, organizar tudo ou simplesmente sentar para conversar foram momentos simples que, sem percebermos, reforçaram os laços que havíamos criado.

Hoje partimos com a certeza de que este acampamento de trabalho não só transformou a vida das crianças com quem compartilhamos esses quinze dias, mas também a nossa. Levamos novas amizades, lembranças que permanecerão para sempre e ferramentas que nos acompanharão em nossa jornada. Acima de tudo, partimos com um novo olhar, com o coração cheio e com o compromisso de que tudo o que vivemos não fique restrito a esses quinze dias, mas continue a dar frutos onde quer que estejamos.

Porque há experiências que terminam ao fazer as malas. E outras, como esta, que realmente começam quando cada um volta para casa.